Bêbados, Sóbrios e o Taxi Amigão
Dezembro 4, 2009
Começa hoje, dia 04 de dezembro, a circulação do Taxi Amigão: uma “iniciativa” da Prefeitura de São Paulo que vai ao encontro da proposta da Lei Seca. A ideia é oferecer taxis com bandeira um, às sextas e sábados, das 20h às 06h. Estende-se aos feriados, vésperas de feriados e a adesão é voluntária. Ao que parece, pouco mais de 700 taxistas da cidade já toparam e provavelmente vão circular no burburinho da Vila Madalena, Augusta, Itaim… aquela rota que todo paulistano já conhece.
Fato: isso não é nenhuma novidade pra quem frequenta bares e botecos. Já cansei de ouvir em mesa de bar uma série de propostas interessantíssimas sobre questões relacionadas ao trânsito e principalmente sobre a popularização do taxi. O que a Prefeitura está fazendo não tem nada de novo, é apenas uma prática que já há muito vem sendo discutida e que, defasadamente, começará a partir de agora.
Por um lado, acho a proposta ótima não só para quem tem carro e gosta de beber mas, principalmente para aqueles que NÃO TEM carro e que gostam MUITO de beber. Como eu. O lado ruim é que, o taxista não vai ter lá muitos benefícios e, a menos que consiga – com essa proposta – aumentar exponencialmente o número de suas corridas noturnas nos finais de semana, a ação corre o risco de ir pro buraco, apesar de toda a boa vontade da Prefeitura de SP.
A grande questão é: ter boas ideias todo mundo tem. Difícil é quando você tem de colocar a mão no bolso para que isso torne-se uma prática. Não é bem o caso da Prefeitura de SP. Eu, que já pago a bandeira dois de bom grado, torço para que a adesão aumente e isso torne-se uma prática na cidade. Inclusive, a Prefeitura poderia começar a pensar em fazer a mesma coisa durante os horários de pico nos dias úteis, ideia essa que já pulula aqui há bastante tempo.
A cidade clama por uma bandeira três.
Popularizando o Taxi
Março 4, 2009
Hoje tive que dar uma palestra em Santo Amaro e como estava a trabalho, tive a ida e a volta subsidiadas e meu transporte foi fresquinho e gostoso a bordo de um taxi!
[É importante ressaltar que taxi ainda é um luxo para a classe operária principalmente em São Paulo, essa cidade ternura onde ninguém chega em menos de quarenta minutos a qualquer destino com mais de 3 km de distância da origem. Isso é fato. E isso também significa que qualquer taxi daqui até a esquina te empobrece em, no mínimo, R$ 10,00].
Eu gosto de taxi, não só pelo conforto [óbvio] mas porque os taxistas são sempre simpaticões, numas de querer ganhar o cliente e tal e eu não me importo de ir batendo papo, não sou daquelas que abre o jornal no banco de trás e trata o motorista como um lacaio. Mas nessa minha ida rolou um lance bem estranho porque peguei um taxista mudo que de vez em quando resmungava alguma coisa, “porque esse trânsito de São Paulo está cada vez pior” e “esses corredores de ônibus não servem pra nada” e também “esses motoqueiros são uns canibais”, frase essa que me deixou bastante intrigada porque acredito que o intuito dele era mais o de indicar uma androfagia provocada pelo trânsito do que especificamente motoboys comendo churrasquinho de gente.
Já na volta a coisa foi bem diferente: o motorista era todo amigo do mundo, cheio de opiniões, conceitos, temáticas e metodologias a respeito da vida cotidiana e em meio à Marginal Pinheiros recaímos sobre o debate único e crucial quando se está na terra da garoa: O TRÂNSITO.
É lógico que São Paulo é caótica, a cidade não comporta mais carros e ainda assim, a indústria automobilística teima em te dizer que você só será uma pessoa melhor, mais digna, respeitada e feliz quando se puser enclausurada sobre quatro rodas. E ainda que comprar carro esteja fácil, mantê-lo, meu nego, não é tão simples assim…
Dentro de toda essa questão do custo X benefício proporcionado pelo carro e de todos os entraves que a cidade oferece para quem opta pelo automóvel, sr. taxista e eu chegamos à terminante conclusão que nossa sábia Angélica, em seus idos tempos adolescentes, nos jogou na cara em uma quase premoniação sobre os tempos estavam por vir: vou-de-taxi-ce-sabe-tava-morrendo-de-saudade. Ou seja, o taxi pode ser uma parte efetiva da solução para o trânsito de São Paulo.
E aqui volto na questão de que, ainda que comprar um carro seja bem fácil e viável em tempos pós-modernos, mantê-lo é tarefa para poucos: se você trabalha com o carro, ainda que o use somente para a locomação de ida e volta, os custos com estacionamento, combustível e manutenção são bastante relevantes. Quem tem condições de manter um automóvel sob essa e outras circunstâncias, PODE SIM usufruir do taxi para a locomoção diária porque tem condições financeiras para isso. Quem anda de carro todo dia não vai querer andar de ônibus, talvez tope um metrô, mas ônibus nunca e o taxi – de certa forma – oferece o “conforto” proporcionado pelo carro, travestido de transporte público. E são carros que rodam o dia todo, eles não vão entupir a cidade de repente, das 07h00 às 10h00 ou das 17h00 às 20h00. Quem tem grana para manter um carro, tem grana para ir de taxi. Taxis rodam pelos corredores, você não precisa preocupar-se com o trânsito, pode ir lendo, economiza com seguro, vai até dormindo. E pensando em um mundo perfeito, os taxis poderiam ter tarifas reduzidas durante o horário do rodízio para estimular seu uso não só entre os abonados, mas também entre nós, o proletariado em geral.
Lógico que essa não é uma SOLUÇÃO para o trânsito, mas acredito de verdade que, a curto e médio prazo, poderia ser uma alternativa bem viável para a cidade.
E o taxista disse que topava.