Idéia sensacional. Para motoristas e pedestres!

Na Estação da Luz, naquela entrada/saída que dá para a Pinacoteca e para o Museu da Língua Portuguesa tem um piano. Um piano que fica ali, o tempo todo, para quem quiser tocar.

Eis que hoje, saindo da Pinacoteca e entrando na Estação para voltar para casa, a cena mais surreal:

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Um mendigo se apropriou do piano e ficou tocando. Tocando muito e muito bem.

Isso me fez ficar pensando em um monte de coisas. E ao mesmo tempo que foi lindo ver isso também foi muito angustiante. Assim como foi angustiante sair da exposição do Matisse e ver todas aquelas pessoas deitadas, sujas, esquecidas e invisíveis ali na entrada da Estação. O contraste da arte e do belo com esse duro choque de realidade. Eu não consigo passar despercebida por isso.

Ontem, depois de um truculento dia de trabalho, restava-me a comemoração do aniversário de uma colega no Bar Cardoso. Noite quente e bonita que não merecia pessoas enfurnadas dentro de suas casas… tampouco de seus carros.

Precisei passar em casa para devolver alguns DVD´s na locadora antes de ir para o Bar. Aproveitei para trocar a roupa social que me oprime por um belo e velho jeans batido que diz tão mais sobre mim do que qualquer outra peça de roupa. Feliz da vida, fui andando pela Teodoro Sampaio rumo à locadora quando me deparei com uma cena que certamente passou despercebida pela maioria dos transeuntes, mas não a mim, eu, pedestre nesse caos paulistano: enquanto eu caminhava, por um motivo qualquer, senti uma imensa felicidade por estar andando, o caminho indo, indo, indo… E cruzava com outros pedestres que, ainda com suas devidas pressas, também iam. Caminhavam, moviam-se, trombavam-se e iam-se. Para suas casas, ou talvez para um bar como eu também iria dali a instantes, ou para a faculdade ou para qualquer lugar. Todos nós [ou quase] tínhamos um lugar para ir. E estávamos indo. Livres.

Depois desse devaneio bobo, não pude conter a curiosidade de olhar para os carros naquela imensa fila que tomava conta da rua. Entre ônibus e motos, lá estavam os motoristas: encarcerados sobre quatro rodas, com a peculiar expressão de desolação daqueles que não podem simplesmente abandonar seus carros e sair, livre, como nós pedestres. Um trânsito estático, de rodas imóveis, simplesmente não saí-se de seu lugar. Eram olhares perdidos, cotovelos cansados que apoiavam cabeças tristonhas, suspiros enfastiados e olhos esfregados como se aquilo fosse um pesadelo que acabaria a qualquer instante.

Nessa hora eu senti uma ponta de satisfação, não vou negar: motoristas que não abrem mão do conforto de seus automóveis e que, ali, configuravam-se em suas respectivas prisões.

O que ele não daria para ser um pedestre naquele instante?

Eu, pedestre e livre.

A pé

Fevereiro 26, 2009

Adoro o finalzinho do meu almoço porque eu fico ali na frente do prédio tomando o primeiro café vespertino, fumando lentamente o meu cigarro e vendo a vida passar ali pela Av. Santo Amaro: carros, motos, carros, motos, gente, carros, carros, gente, motos, motos, motos.

Jogo o cigarro e vou passeando bem devagar por esse caos urbano, olhando as lojinhas e sempre comprando um sorvete na volta.