Você! Você aí, meu caro motorista! Você, senhor-quatro-rodas, magnânimo motorizado! Você já entrou na estação Consolação do metrô às seis e meia da tarde? Não? Ah… então, deixa eu te contar…

A estação Consolação do metrô às seis e meia da tarde, assim como a maioria das outras estações de metrô de SP [alô lô linha amarela, aquele abraço!] é simplesmente ENTUPIDA de gente. Ainda assim, é um fluxo, a coisa vai. Um entra-e-sai de humanos que flui escadaria abaixo e acima. Mas não é isso que interessa, caro leitor motorizado. Eu quero aqui falar é da FILA DO BILHETE ÚNICO.

Nas estações de metrô, cubículos são colocados estrategicamente em cantinhos da estação para que usuários possam recarregar seus queridos bilhetes únicos, essa maravilha marthiana, formando filas que vão até Machu Pichu. O sistema vive dando problema, tem vezes que o cartão de débito não passa e os atendentes não tem lá a expressão mais simpática do mundo mas… tudo por três horas de busão a módicos R$ 2,30.

E às seis da tarde DESTA NOITE, lá estou eu, adentrando as dependências do metrô Consolação, feliz e pimpona imaginando que teriam aí umas 50 pessoas na minha frente mas… bem, “a fila anda rápido”. “E, ei! Tem a máquina Self Service, quem sabe eu não recarrego o bilhete lá?”.

Essas máquinas que eu chamo de “Self Service” são, na verdade, máquinas para recarga eletrônica onde o próprio usuário coloca uma nota de R$2, R$ 5,00, R$ 10,00 ou R$ 20,00, insere seu cartão e voilà! Em menos de 20 segundos seu Bilhete Único está recarregado e você, cansado ou cansada de um dia exaustivo de trabalho, vai para o conforto do seu lar na maior felicidade.

Não bastasse UMA, a estação Consolação tem DUAS máquinas dessas. Agora, você me pergunta: se a estação Consolação é dotada de tal sistema, por que cargas d´água a fila do Bilhete Único tem 50 pessoas?

E eu te respondo, caro leitor motorizado: porque essas máquinas simplesmente NÃO FUNCIONAM!

Enquanto eu estava lá, na fila que [desta vez] não andava, comecei a ficar indignada a cada vez que pensava nisso. Pedi para uma mocinha guardar meu lugar na fila e fui até uma das funcionárias do metrô que batia papo por ali:

- Oi, tudo bem. Deixa eu fazer uma pergunta… se aquelas máquinas ali, de recarga automática, não funcionam, por que é que elas estão lá?
- Olha moça, aquelas máquinas são da SP Trans. A gente não é responsável.
- Não dá nem pra chamar alguém pra fazer a manutenção?
- O metrô não é responsável, senhora…
- Mas cede o espaço certo?
- Certo.
- Então, se vai alguém se hospedar na sua casa e essa pessoa morre, você deixa o corpo lá, apodrecendo e fedendo…?
- Senhora…
- Tá, já entendi. Obrigada.

E eu sempre me surpreendo com gente tapada, não aprendo nunca…

Voltei pra fila e resolvi ligar no 156. Escolhi a opção “3″, para “reclamações” e fui atendida por uma tal de Luana:

- Oi Luana. Eu tô aqui na estação Consolação do metrô, em uma fila gigantesca para recarregar o Bilhete Único sendo que aqui tem duas máquinas de recarga eletrônica que não funcionam. E, assim, Luana… Se elas não funcionam, por que é que elas estão aqui?
- Senhora, vou transferir a sua solicitação para a área responsável.

- SP Trans, Lidiane, boa noite?
- Oi Lidiane. Eu tô aqui na estação Consolação do metrô, em uma fila gigantesca para recarregar o Bilhete Único sendo que aqui tem duas máquinas de recarga eletrônica que não funcionam. E, assim… Se elas não funcionam, por que é que elas estão aqui?
- Não sei responder, senhora.

[Pelo menos, essa foi sincera].

- E quem é que sabe, Lidiane?
- A senhora deve fazer a reclamação em um posto da SP Trans.
- E onde eu encontro um posto da SP Trans?
- Nos terminais da SP Trans.
- Tá, mas me fala UM terminal da SP Trans.
- Terminal Lapa, senhora.
- Tá. Agora, só uma última pergunta…
- Pois não, senhora.
- Se você não pode me ajudar, este canal de reclamação serve pra quê mesmo?
- Serve para reclamações, mas não para este tipo de reclamação.
- Tá, obrigada.

Desliguei o telefone, fui à bilheteria comum e perdi minha integração. Paguei R$ 2,55 para poder chegar em casa logo. Esse não foi o preço da minha felicidade tampouco o da minha indignação ao ver aquele povo todo sendo desrespeitada tão descaradamente quando um simples telefonema poderia minimizar o problema. R$ 2,55 é o que eu, você e muitos outros usuários do metrô pagam diariamente para que funcionários fiquem batendo papo ou dizendo simplesmente “não sei”.

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