A pé
Fevereiro 26, 2009
Adoro o finalzinho do meu almoço porque eu fico ali na frente do prédio tomando o primeiro café vespertino, fumando lentamente o meu cigarro e vendo a vida passar ali pela Av. Santo Amaro: carros, motos, carros, motos, gente, carros, carros, gente, motos, motos, motos.
Jogo o cigarro e vou passeando bem devagar por esse caos urbano, olhando as lojinhas e sempre comprando um sorvete na volta.
Efeitos da chuva sobre São Paulo
Fevereiro 25, 2009
Você pode até não ser de São Paulo, mas deve estar careca de saber o quanto a gente sofre aqui com a chuva. Tudo bem, o país inteiro sofre com chuva demais, vide Santa Catarina e tal. Mas nesses casos o caos surge em meio à tempestade, ao exagero, às barbas de São Pedro mandando ver no castigo mundano!
São Paulo não, beibe. São Paulo é assim:
- 10 minutos de garoa: trânsito lento.
- 30 minutos de garoa: trânsito congestionado.
- 1 hora de garoa: tudo parado.
Agora pensa: e quando chove? Meu nego, o que acontece com São Paulo quando chove???
- 1 minuto de chuva: trânsito lento.
- 5 minutos de chuva: tudo parado.
- 1 hora de chuva: fim do mundo.
E é fim do mundo mesmo, amigão. Para tudo: trem, metrô, ônibus, semáforo… É em dia de chuva que “marronzinho” realmente trabalha! E é no dia em que chove que ninguém te pega no rodízio.
Enfim, hoje choveu e eu demorei três horas para chegar em casa. Estação da Luz com escada rolante parada só para comportar a inefável quantidade de gente que ia chegando do metrô e não tinha para onde ir. Congestionamento de gente, meu povo! DE GENTE! Sé às seis da tarde ficou no CHI-NE-LO!
Mais calor humano, impossível!
EAOSA
Fevereiro 20, 2009
Você já ouviu falar de um ônibus popularmente conhecido como “EAOSA”? Se você não for do ABC Paulista, certamente não.
“EAOSA” é a sigla para “Empresa Auto Ônibus de Santo André”. No começo eram ônibus do tipo leito, grandes, com ar-condicionado e poltronas confortáveis, percorrendo o trajeto Mauá-Pacaembu [Via Av. Paulista] a uma módica tarifa cinco vezes maior que a do ônibus tradicional.
Em tempos de crise reduziram a frota, colocaram aqueles terríveis microônibus para circular, as poltronas não são tão macias e recliná-las é condenar o passageiro da fileira anterior a miseráveis duas horas de percurso semi massacrado. Mas a tarifa continua cinco vezes mais cara. Quer dizer, seis, porque houve reajuste dia desses.
Esse é o EAOSA.
Eu pego o EAOSA. Todo dia, benhê.
A parte boa [sim, porque sempre tem uma parte boa nessas histórias] é que apesar do aperto, é um ônibus que vai direto de um ponto a outro, poupando-nos da terrível experiência do trem espanhol da CPTM – alternativa padrão para a população do ABC Paulista que quer chegar a São Paulo. E o fato do EAOSA fazer esse percurso nos dá, em manhãs de sono tórrido, a oportunidade de dormir, cochilar ou piscadelar aquele restinho de sono que ficou desde às cinco da manhã com relativo conforto.
Mas não se engane: aquele povo arrumadiho que trabalha na Paulista e frequenta o EAOSA também tem um lado sórdido, mesquinho e vilão.
Situação 1: silêncio e tranquilidade. Pessoas dormindo no EAOSA, ouvindo seus mp3, lendo um livro ou simplesmente observando a paisagem pela janela.
Situação 2: mulher histérica entra falando alto, exaltando as qualidades do motorista [já que ele parou fora do ponto só para que ela entrasse] e depois de cinco minutos berrando à beira da catraca, ela passa pelo estreito corredor mas não sem antes esbarrar com sua bolsa [que mais se parece com um saco de carregar defunto] em, no mínimo, umas cinco pessoas. E quando o ônibus freia, ela se desequilibra e quase mata massacrado o pobre moço da pastinha…
Situação 3: a sra. desequilibrada [física e emocionalmente] encontra uma conhecida dentro do ônibus e desata a maricar em alto e bom som, porque legal mesmo é fazer todo mundo do ônibus ouvir o quanto ela gosta de bala de canela.
Eu poderia associar todo o meu mau humor desta manhã a condições sócioeconômicas, políticas, culturais, emocionais ou renais, mas serei escrotamente determinista: a culpa de toda minha ranhetice desta aurora foi dessa mulher!
A idéia
Fevereiro 19, 2009
Como não podia deixar de ser, a idéia para este blog surgiu durante uma sonolenta e enfadonha viagem matinal de ônibus. Na verdade, em qualquer outro horário eu certamente estaria lendo alguma coisa e a mente, suficientemente ocupada, não daria vazão para esse tipo de elocubração.
Mas como laboriosa pessoa que sou, acordar cedo é condição sine qua non de sobrevivência em um mundo capitalista, ainda que a organização seja não-governamental. Naquela aurora viagem, veio a idéia.
Para aqueles que, como eu, abdicaram do automóvel, a vida de pedestre denota-se como um relicário da experiência cotidiana, desde que você tenha o olhar devidamente aguçado para tais peculiaridades. Ou apenas, mau humor matinal [o que é o meu caso].
A vida do pedestre não é fácil, mas ele está ao ar livre. Já o motorista, pobre motorista: sobre quatro rodas, uma triste rotina claustrofóbica e só.