Campanhas falhas: trabalhamos!
agosto 3, 2011
Deu na Folha de São Paulo hoje: “Após 83 dias de campanha, área de proteção a pedestres tem falha“. Faltou só o botão “Cê jura?” no lugar do “Recomendar” para o Facebook. E é logo no primeiro parágrafo que vem a bomba:
“A cinco dias do início das punições para o motorista que desrespeitar a preferência do pedestre no centro de São Paulo, agentes de trânsito ainda não sabem como registrar as infrações”.
Eu já havia comentado sobre essa campanha neste post aqui que, ao meu ver, é ótima, mas tá cheia de falhas, buracos e inconsistências. A prefeitura põe um marronzinho e duas pessoas com bandeirolas nas vias mas mais da metade da cidade não tem, sequer, faixa de pedestres em vias onde a preferência é de quem está a pé. Legal, vamos conscientizar os motoristas. Mas eles estão pouco se fodendo pro mundo. É uma meia-dúzia de pessoas que para o carro para o pedestre passar ou que se preocupa em dirigir com responsabilidade. Posso estar sendo demasiadamente pessimista ou radical mas para mim, todo mundo que ama muito essa coisa de carro, de andar de carro, de ter carro é dono de uma mente doentia. E essa mente doentia se manifesta, principalmente, no trânsito.
Meu outro meio de transporte – III
julho 23, 2011
Meu outro meio de transporte – II
julho 22, 2011
Meu outro meio de transporte
julho 21, 2011
Inspirada nessa foto aqui, decidi criar uma série de três adesivos chamados “Meu Outro Meio de Transporte”. Vou deixar a arte disponível aqui, gratuitamente. Já está em alta, no formato 17 X 11 cm, pronta para a impressão. Caro motorista: aproveite a ideia e cole no seu carro! Ou melhor, saia dele e vá de bike.
O assento é mesmo preferencial?
julho 20, 2011
Não faz muito tempo, assisti no Fantástico uma reportagem onde, com uma câmera escondida, um jornalista andava de ônibus por várias cidades brasileiras como São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte (talvez exista mais alguma, mas não me recordo agora) junto com uma velhinha, apenas para observar a reação das pessoas ao ver a senhorinha em pé enquanto marmanjos e marmanjas ocupavam o assento preferencial dos ônibus (queria ter encontrado o link para publicar aqui, mas infelizmente não localizei). A medida era simples: quanto tempo demoraria até que alguém se levantasse do assento preferencial (ou de qualquer outro) e cedesse seu assento para a tal velhinha? Por incrível que pareça, São Paulo foi considerada a cidade mais “educada” nesse sentido.
Apesar da tal matéria, quem anda de ônibus sabe bem que a coisa não é exatamente assim no dia-a-dia. Infelizmente, ainda é recorrente o descaso com os idosos, principalmente quando o horário é de pico e o ônibus está lotado. Nessas horas, vale a lei do mais forte. Não importa se é homem, mulher, idoso, grávida ou o escambau. Vagou o assento, é meu e dane-se o mundo.
Hoje não foi diferente. Saí mais cedo do trabalho para ir a uma reunião. Eram cinco da tarde, aquele horário TERNURA nos busões e metrôs de São Paulo. Peguei o “Rio Pequeno” pois queria descer ali na Faria Lima com a Teodoro pra pegar o metrô novo, aquele da linha amarela, e ir para a Av. Paulista. Quando entrei no ônibus ele estava razoavelmente cheio, mas transitável. Eu não tinha a menor esperança de me sentar, então tratei de achar um canto pra ficar numa boa. Mas a cada ponto mais e mais gente entrava, até que a situação ficou praticamente insuportável.
Nesse meio tempo aparece uma senhora e para ao meu lado. Olhos cansados, cabelos brancos desgrenhados, presos em um coque. Arrisco-me a dizer até que havia um quê de uma melancolia muito profunda em seu olhar. Roupas simples, uma sacola. Pude ver que suas mãos eram bem maltratadas. Não fiz mesura, tasquei logo de cara: “Quantos anos tem a senhora?”. “Sessenta e quatro, minha filha…”. “E andando nesse ônibus lotado, né?”. “Fazer o quê…?”. E deu dois tapinhas na minha mão, que firme e forte segurava o ferro do busão. Bem à nossa frente, um par de assentos preferenciais. Na janela, uma negona robusta observava a paisagem o Itaim. No corredor, uma senhora que me pareceu ser nordestina, também bastante humilde, mas bem longe dos sessenta anos. Soltei uma indireta, “nossa, será que ninguém vai dar um lugar pra senhora?”. “Ih, minha filha, já tô acostumada…”. Nessa hora, me cortou o coração. Uma mulher atrás de mim começou a falar sobre o desrespeito com os mais velhos. Olhei para as mulheres sentadas à minha frente e perguntei educadamente se uma delas poderia ceder seu lugar àquela senhora. A negona fez que nem me viu. A outra, resmungou dizendo que “estava cansada porque tinha trabalhado o dia todo”.
Oras! Aquela senhora que estava ali, em pé e espremida ao meu lado, já deveria estar cansada há, NO MÍNIMO, uns 15 anos a mais que qualquer um ali daquele ônibus. Senti vergonha por aquelas mulheres que não se dispuseram a ceder seus lugares. Eu sei que o ônibus estava cheio, é foda, eu sei, eu sei. Mas aquela velhinha tinha o DIREITO ADQUIRIDO de se sentar num daqueles assentos. E o aviso é claro: na AUSÊNCIA de pessoas nas condições citadas (grávidas, deficientes, idosos, pessoas com criança de colo…) o uso é livre. Mas não era o caso.
Depois da infeliz declaração da mulher sentada no assento do corredor, uma onda de indignação proveniente das outras mulheres que estavam em pé no ônibus tomou conta do ambiente. “Que falta de cidadania!”. “Elas acham que nunca vão ficar velhas na vida!”. “Que absurdo!”. Não me aguentei, lógico, e falei em alto e bom som pra todo mundo no busão: “Então gente! Pessoal do assento preferencial, aê: alguém pode fazer a gentileza de ceder seu lugar a essa senhora aqui?”. Na mesma hora uma garota (que não estava em um assento preferencial) se levantou para ceder o lugar mas fiz questão de dizer a ela para continuar ali. Uma moça sentada perto da porta e que lia um livro até então, se dispôs na hora e ainda pediu desculpas dizendo que se tivesse visto a senhora antes, certamente teria cedido o lugar.
A velhinha me olhou e disse: “Não minha filha, não precisa não…”. “Precisa sim, vai lá, por favor. Fiz isso pela senhora”. Um grupo de mulheres, em coro, ficou incentivando a vovó a ir para o assento preferencial, até que ela foi. Desbravando aquele mundareu de gente, chegou lá. E eu pude ver o suspiro de alívio dela quando se sentou. Esticou as pernas, arrumou o cabelo e esfregou os olhos. Agarrou sua sacola e deixou a cabeça cair para trás. Fechou os olhos.
Nessa hora eu pensei na minha mãe, que acabou de chegar aos cinquenta anos. Ainda vai ficar em pé em ônibus, trens e metrôs por muitos anos. Pensei muito nela. E no quanto eu gostaria que outras pessoas pudessem fazer isso por ela quando estiver velhinha também.
Como Copenhagen se tornou a cidade das bikes
julho 18, 2011
Um amigo me mostrou recentemente o site Cidade Para Pessoas, que eu achei sensacional. Fiquei, inclusive, muito puta comigo mesma por não tê-lo descoberto antes. Um dos posts mais recentes desse blog (que vale a pena ser lido de cabo a rabo) é o que contém o vídeo abaixo, que fala sobre como Copenhagen se tornou a cidade das bikes:
Como disse um dos entrevistados:
“…porque é muito fácil fazer planos e estabelecer metas. O difícil é tomar as decisões que tornem possível atingir essas metas”.
Libvee: boas e más impressões
julho 17, 2011
Aconteceu hoje o Libvee: um passeio ciclístico noturno de 26 km pelos principais pontos do centro de São Paulo. Funcionava assim: você pagava uma inscrição de R$ 225,00 e ganhava acessórios como capacete e luzes de segurança e, o mais legal: uma bike! Eu fiz a inscrição assim como meu namorado e minhas roomies. Chegamos cedo (uma ótima ideia), pegamos nossas bikes, fizemos os ajustes necessários e estávamos lá: ansiosos pelo início do passeio. Massssss… primeiro vez do evento, sabe como é… alguns (muitos) problemas. Mas seria injusto da minha parte apenas criticar, por isso resolvi comentar as boas e as más percepções que tive (assim como meus amigos) e postar aqui, como uma forma de, de repente, estimular as pessoas a participarem do próximo evento e tentar contribuir para que a organização tenha mais cuidado com alguns detalhes - que fazem toda a diferença.
BOAS IMPRESSÕES
- Ótimo espaço para a concentração das pessoas
- Água e frutas sendo distribuídas na parada que rolou e na saída, pra todo mundo repor a energia
- Membros da organização acompanhavam as pessoas o tempo todo, dando até uma força nas subidas
- CET e Polícia Militar garantiram a segurança de todos, inclusive quando o passeio rolou no meio da Cracolândia
- Os membros do staff eram bastante antenciosos
- Não presenciei (e acho que não aconteceu) nenhum acidente
MÁS IMPRESSÕES
- Prometeram a entrega de uma mochila, que não aconteceu
- Organizaram uma apresentação bem bonita de um coral na Igreja do Liceu Coração de Jesus mas isso não tinha nada a ver com o contexto da coisa toda e o pior: galera sentou, esfriou e pra voltar a pedalar… foi foda
- Membros do Bike Anjo estavam ajudando as pessoas com problemas nas bikes – coisa que o staff deveria fazer – e mesmo assim, foram impedidos de entrar na Igreja, comer frutas e tomar a água distribuída para os participantes
- O rádio distribuído tocou um setlist ótimo mas também poderia ter sido utilizado para comunicação com as pessoas. Um chiado horrível fazia com que o passeio, às vezes, se tornasse uma tortura
- Estavam programadas duas paradas e apenas uma aconteceu
- Muitas bikes apresentaram problemas. A da minha roomie estava sem freio. A minha, com o selim fodido. A do meu namorado, tinha um guidom que girava 180 graus…
- A organização recomendava que as pessoas voltassem de metrô mas não avisaram à administração do serviço sobre isso. Resultado: 50 ciclistas na Barra Funda tentando embarcar. Graças aos homens de preto, tudo deu certo e ficamos com um vagão só pra nós!
Passeio concluído, resta agora esperar por todas as dores musculares que estão por vir. Mas esta não é, necessariamente, uma reclamação.
E, honestamente, espero que a organização do Libvee aproveite o que o pessoal que participou está dizendo e faça alguma coisa pra melhorar.
Vá de Galinha
julho 12, 2011
Você sabia que no horário de pico, em São Paulo, uma galinha anda mais rápido que um carro?
Dê Preferência À Vida
julho 4, 2011
A Prefeitura de São Paulo começou há cerca de algumas semanas a campanha “Dê Preferência à Vida” com o objetivo de conscientizar a população sobre questões relacionadas ao trânsito, principalmente, motoristas em relação aos direitos dos pedestres. Eu vi a campanha pela primeira vez em uma plaquinha na frente do ônibus que eu uso para ir e voltar do trabalho. Achei interessante e decidi procurar na internet. O site é ótimo: informações, estatísticas, vídeos… a iniciativa também é excelente. Porém, fiquei imaginando quantas pessoas viram a tal plaquinha, como eu, e foram efetivamente conhecer o site. E digo mais: gostaria de saber QUANTOS MOTORISTAS fizeram isso. A verdade é que, apesar da ideia ser ótima, a divulgação ainda é falha porque está agindo na consequência e não na causa. A gente sabe que o problema do trânsito no Brasil está muito mais relacionado à educação do que à conscientização. Vejo todos os dias carros parando na faixa de pedestres que tem aqui na frente do prédio onde eu trabalho e em todas as ocasiões onde vou conversar com as pessoas sobre isso, recebo patadas. É grosseria atrás de grosseria. Porque para essas pessoas elas não estão fazendo NADA de errado. Como uma dessas pessoas já me disse: “de todos os erros, esse é o menor”. Mas por que continuar fazendo o errado se dá pra fazer o certo?
Todos os dias tem motorista de ônibus trafegando com essa placa da campanha no para-brisas e tirando fina de pedestre, fechando a porta antes do passageiro descer, correndo loucamente como se as pessoas fossem todas grandes sacos de batata. Todo dia tem motorista buzinando e xingando a gente quando decidimos passar pela faixa de pedestres sem esperar que ele pare. Todo dia a gente vê os maiores absurdos no trânsito e nada disso tem a ver com conscientização. Tem a ver com respeito. E educação, volto a repetir.
A campanha é boa. O problema é que o buraco é mais embaixo.
Libvee começando hoje
julho 4, 2011
Tá afim de ganhar uma bike e acessórios além de participar de um passeio bacanão por módicos R$ 225,00? Então, clique aqui e participe do Libvee. Corre que são só 400 vagas e eu acho que ainda hoje acabam. Também já fiz a minha inscrição e tomara que a gente se encontre no dia 17 de julho.







